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Problemas: Magnitude

O problema

O problema analítico da Magnitude lida com a representação e comparação de pontos, em geral de valores não transformados e numa escala comum. Tendo bastante sobreposição com a Classificação, o foco é mais nas quantidades e nas distâncias entre pontos que na simples ordenação.

A representação de dados ordenados é um requisito básico da Classificação, mas na Magnitude é apenas desejável e uma questão de boas práticas (para facilitar a comparação dos valores). A ordenação pode seguir outro critério que não por valor (Por exemplo, em países como Portugal ou a Itália num gráfico de barras a ordenação poderia seguir uma ordenação aproximadamente geográfica, de norte para sul).

Sendo uma contagem ou uma soma de quantidades, a Magnitude deve ter em conta o contexto, em particular a capacidade da audiência para avaliar esses valores.


Relevância da análise da Magnitude

"Quanto?" é o problema analítico fundamental de onde todos os restantes derivam. O próprio problema analítico básico para a visualização de dados, segundo Edward Tufte, "comparado com quê?", depende do "quanto?".

A Magnitude corresponde, portanto, à mais direta quantificação de um fenómeno, ou ao produto de um sistema, desde o número de pessoas num país às toneladas de maçãs exportadas ou à altura das maiores montanhas

Para além de servir de base a outros, a Magnitude tem a sua própria relevância analítica, dado que a avaliação dos valores concretos é também uma componente essencial do processo analítico.

Ao contrário de processos analíticos em que os dados ou surgem transformados (partes-de-um-todo relativas) ou a ênfase é mais na posição relativa (Classificação), a Magnitude não está sujeita a enviesamentos de análise quando, por exemplo, as diferenças entre totais os as distâncias entre valores são essenciais para compreender os dados.


Dificuldades potenciais da análise de Magnitude

A Magnitude cria sobretudo dificuldade de interpretação dos valores: uma diferença de 100 toneladas pode ser difícil de interpretar se a audiência não for especialista ou o gráfico não fornecer o contexto adequado.

Sendo a Magnitude a representação de uma contagem de qualquer coisa, a geometria utilizada deve corresponder proporcionalmente aos valores. Isto corresponde à regra clássica de que num gráfico de barras a escala deve começar no zero. Esta regra pode sr generalizada para "a escala deve começar no zero em qualquer representação de Magnitude".

Quando substituimos um gráfico de barras por outro, como o gráfico de pontos, para facilitar a comparação de magnitudes semelhantes, estamos também a alterar o problema analítico: interessa-nos mais a ordenação dos valores que a observação das magnitudes. De forma um pouco mais subtil, é algo semelhante ao conselho frequente de usar gráficos de barras em vez de gráficos circulares: também aqui alterar o tipo de gráfico também altera o problema analítico.

Um problema específico que importa ter presente quando se usa a magnitude é a forma de tratamento de unidades monetárias. A moeda é afetada, por exemplo, pela inflação (valores reais e valores nominais), poder de compra ou taxas de câmbio.


Que características deve ter uma boa representação da magnitude?

Tendo em conta o parágrafo anterior, a representação da Magnitude implica o uso de geometrias proporcionais aos valores, pelo que a escala deve começar nor zero.

A representação de magnitudes em variáveis categóricas não obriga a uma ordenação específica, mas a ordenação por valores é fortemente aconselhada, para permitir uma mais fácil comparação.

Como regra geral, as barras são mais adequadas para representar categorias não ordenadas e colunas para representar series temporais ou categorias ordinais. A utilização das barras facilita a utilização de rótulos mais longos, mas não deve ser esse o critério primário para a escolha da orientação.

Anotar e contextualizar os valores deve ser também uma característica da representação das magnitudes, em particular quando a audiência pode não ter o conhecimento que lhe permita aplicar esse contexto.


Formas gráficas que respondem a este problema

Na taxonomia do Financial Times, são estes os gráficos usados para a representação de magnitudes:

  • Gráfico de colunas: representação típica de magnitudes, com orientação vertical;
  • Gráfico de barras: idêntico, com orientação horizontal, mas com as nuances indicadas na secção anterior;
  • Gráfico de colunas com duas ou mais séries: semelhante ao gráfico de colunas com uma série, mas que introduz novas dficuldades, como qual o critério de ordenação, a prioridade visual de cada série, legenda, etc.
  • Gráfico de barras com duas ou mais séries: semelhante ao anterior.
  • Marimekko: Essencialmente, idêntico a um gráfico de colunas típico, onde as magnitudes são representadas pela altura de cada barra mas onde a largura é proporcional a uma segunda variável. A magnitude pode ser data pela população e a largura das barras pode ser associada a área (que é lida como valores empilhados).
  • Símbolo proporcional: a magnitude é comunicada pelo símbolo e a sua posição não tem necessariamente de comunicar informação (não é um gráfico de bolhas). Símbolos proporcionais são mais adequados quando a magnitude definida pelo seu tamanho não é a variável mais relevante, porque têm dificuldade de leitura e comparação.
  • Pictograma: gráfico unitário em que o número de símbolos corresponde ao valor total ou a um multiplicador.
  • Gráfico de pontos com haste: útil para substituir o gráfico de barras ou colunas. Quando tem haste a escala deve começar no zero.
  • Radar: Representação de várias variáveis, cada uma representada ao longo de um raio. Idealmente devem partilhar a mesma escala, e a ordem das variáveis deve ser cuidadosa, dado que a forma gerada é a síntese que a audiência lê. Agrupar tematicamente as variãveis por quadrante é uma das possibilidades.
  • Coordenadas paralelas: da família dos gráficos multivariados, aplicam-se os mesmos conselhos que ao gráfico de radar. Neste tipo, é possível ver múltiplos perfis em simultâneo. A forma gerada pelo gráfico de radar poderá ser mais memorável que a composição de segmentos nas coordenadas paralelas.
  • Gráficos bullet: possivelmente incluído aqui porque não há uma categoria para para representação visual de KPI. Representa um valor de magnitude tem geral comparado com o objetivo. Em fundo são representadas as bandas de performance.
  • Símbolos agrupados: uma mistura entre pictogramas e gráficos de barras ou colunas. Cada coluna é substituída por um conjunto de pontos que geram uma forma globalmente idêntica. No entanto, cada símbolo poderá ter um design autónomo.

Gráficos a evitar

Quaisquer gráficos e opções de design que não respeitem a proporcionalidade da geometria devem ser evitados. Para a representação de magnitudes, não começar a escala no zero ou quebrar a escala em qualquer ponto (por exemplo, para acomodar valores extremos) não são opções corretas.

Gráficos onde as semelhanças de magnitudes geram geometrias com pouca variação devem ser substituídos se uma leitura detalhada dessas variações for necessária. Cálculo do crescimento do PIB, em vez de valores absolutos é um exemplo comum. Em alternativa, poderá usar-se gráficos de pontos e mudar o problema analítico para focar mais na ordenação dos valores.


Técnicas gráficas frequentemente associadas

Esta secção será preenchida posteriormente


Quando este problema se cruza com outros

Como foi dito acima, este problema analítivo pode ser visto de forma autónima ou como raíz dos outros problemas. Por exemplo, partes de um todo, desvio ou classificação tendem a ser transformações relativas da magnitude, enquanto evolução pode corresponder à magnitude em série temporal. Um exemplo comum de cruzamento é a colocação de um valor total no centro de um gráfico donut.


Resumo

O problema analítico da magnitude caracteríza-se por responder à pergunta "quanto?" em termos absolutos. É o mais fundamental de todos os problemas e base para todos os outros.

Os gráficos que representam magnitudes devem ter geometrias proporcionais aos valores e evitar quebras de escalas. O seu uso complementa os restantes, quer adicionando magnitude a valores relativos quer, no sentido oposto, começar por um valor de magnitude aplicando de seguida alguma forma de relativização.

Updated on Jan 22, 2026